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Por Que Deus Permite O Sofrimento?

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porque Deus permite o sofrimento

Ao longo da história, esta questão tem atormentado a humanidade. A postura geral é que, se houvesse um Deus todo-poderoso, Onisciente e perfeitamente bom, então não haveria mal nem sofrimento no mundo. “A morte, a doença, a velhice, os terremotos, as erupções vulcânicas e a fome não estariam na equação da vida.
Ao abordar a questão, torna-se evidente que a declaração acima leva em consideração as seguintes premissas:

  • Um bom Deus que é todo poderoso existe
  • O mal existe

Portanto, um bom Deus que é todo poderoso não existe.

No entanto, a conclusão acima pressupõe algumas outras premissas ocultas que não são mencionadas diretamente. Por exemplo, assume que:

1. Se Deus é Onipotente (todo poderoso), então Ele pode criar qualquer mundo que Ele queira – Por exemplo, um mundo onde todos os seres humanos sempre façam a coisa certa e não caiam no mal ou sofrimento. No entanto, isso significaria que Deus nos privaria da liberdade de escolher e a compulsão não é uma característica que Deus impõe aos humanos.

2. Se Deus é bom, então Ele prefere um mundo sem o mal.

As duas premissas ocultas acima assumem um tipo de Deus muito cristão (ou seja, aquele que é apenas bom e Onipotente) e, em segundo lugar, que Deus não tem qualquer razão para permitir o mal e o sofrimento no mundo.

Atributos De Deus

Os muçulmanos não acreditam que Deus é apenas bom e Onipotente. “Às vezes vemos a manifestação da beleza divina, graça e perdão e às vezes vemos manifestações do rigor divino e ira. Esta é uma das grandes diferenças entre o entendimento islâmico e, por exemplo, a compreensão cristã. Os cristãos dirão que Deus é amor e terão dificuldade em explicar o mal no mundo. Os muçulmanos dizem que Allah é o mais beneficente, mais misericordioso, o todo amoroso e esses atributos predominam. E no final, quando o bem e o mal forem diferenciados, veremos que a misericórdia predomina sobre a ira. Mas Allah é também o Esmagador, o Vingador, o Juiz “Os muçulmanos acreditam que o mundo é a interação infinitamente sutil de noventa e nove nomes, que inclui nomes de rigor, bem como nomes de beleza” 1.

O Profeta (que a paz esteja com ele) disse:

“Quão surpreendente é o caso do crente; existe algo de bom para ele em tudo, e essa característica é exclusivamente para ele. Se ele experimenta algo agradável, ele é grato, e isso é bom para ele; e se ele se deparar com alguma adversidade, ele é paciente, e isso é bom para ele. “

Por Que Deus Permite o Mal e o Sofrimento no Mundo

Os céticos podem se concentrar no aspecto negativo das coisas, alegando que o mal e o sofrimento não têm propósito algum para servir.

Os muçulmanos acreditam que Deus nos criou para um teste. Em um versículo no Alcorão, Allah diz:

“Aquele que criou a morte e a vida, para pôr à prova qual de vós é melhor em obras – e Ele é O Todo-Poderoso, O Perdoador.” [Sagrado Alcorão 67-2]

Em algumas religiões, o bom status de uma pessoa no mundo é visto como uma indicação de que Deus está satisfeito com ela. Então, por exemplo, se alguém tem um bom emprego ou uma boa casa, a inferência feita é que Deus os ama. No entanto, no Islam, saúde, riqueza, pobreza, doença, etc. não são sinais de sucesso ou fracasso; em vez disso, eles são um meio de testar o indivíduo para determinar sua resposta a uma situação específica. Mas mesmo quando confrontado com dificuldades na vida, o Profeta ﷺ disse:

“Nenhuma calamidade recai sobre um muçulmano, sem que Allah expie alguns dos seus pecados por causa disso, mesmo sendo a picada de um espinho.”

De um modo geral, qualquer mal ou sofrimento experimentado na vida é a exceção e não a regra. Doença é relativamente curta, em comparação com a boa saúde como terremotos em comparação com a idade da terra. Além disso, só porque nossa capacidade intelectual é limitada e não podemos avaliar o que é a sabedoria, não significa que não esteja lá. Por exemplo, em alguns casos, a doença resulta na acumulação de imunidade, os terremotos aliviam as pressões reprimidas dentro da Terra, os vulcões expelem minerais, resultando em solo fértil e rico para a agricultura.

Existe uma sabedoria antiga que afirma:

“À partir do veneno das cobras vem o antídoto”. Como mais alguém pode apreciar a bondade sem ter experimentado dificuldades para usar como comparador? Seria possível apreciar a boa saúde se a doença não ocorresse?

“Dizem que o mal no mundo é como os espaços sombreados em uma pintura; se você chegar perto disso, verá esses defeitos, mas se você recuar à distância, descobrirá que as áreas sombreadas são necessárias para cumprir uma função estética dentro da obra de arte.” [Dialogue with an Atheist – Dr Mostafa Mahmoud]

A história de Khidr (no Alcorão, capítulo 18, versículos 64-82) é um relato eloqüente de como a sabedoria de Deus, compreendida ou não, traz benefícios positivos para a humanidade.

Moisés disse: “Isso é o que buscávamos.” Então, ambos voltaram, seguindo suas próprias pegadas, E encontraram um de Nossos servos, ao qual concedêramos misericórdia vinda de Nós, e ensináramos-lhe ciência, de Nossa parte. Moisés disse-lhe: “Posso seguir-te, com a condição de que me ensines algo do que te foi ensinado de retidão?” O outro disse: “Por certo, não poderás ter paciência comigo. “E como pacientar, acerca do que não abarcas em ciência?” Moisés disse: “Encontrar-me-ás paciente, se Allah quiser, e não te desobedecerei em ordem alguma.” O outro disse: “Então, se me seguires, não me perguntes por cousa alguma, até que te faça menção desta cousa.” Então, ambos foram adiante, até que, quando embarcaram na nau, ele a furou. Moisés disse: “Furaste-a, para afogar seus ocupantes? Com efeito, fizeste algo nefando!” O outro disse: “Não te disse que, por certo, não poderias ter paciência comigo?” Moisés disse: “Não me culpes pelo que esqueci, e não me imponhas dificuldade, acima de minha condição.” Então, ambos foram adiante, até que, quando depararam um jovem, então, ele o matou, disse Moisés; “Mataste uma pessoa inocente, sem que ela haja matado outra? Com efeito, fizeste algo terrível!” O outro disse: “Não te disse a ti que, por certo, não poderias ter paciência comigo?” Moisés disse: “Se, depois disso, te perguntar por algo, não me acompanhes mais! Com efeito, conseguiste de minha parte uma desculpa.”

Então, ambos foram adiante, até que, quando chegaram aos moradores de uma cidade, pediram a seus habitantes alimento, e estes recusaram-se a hospedá-los. Então, aí, encontraram ambos um muro prestes a desmoronar-se, e ele o aprumou. Moisés disse: “Se quisesses, receberias prêmio por isso.” O outro disse: “Esta é a hora da separação entre mim e ti. Informar-te-ei da interpretação daquilo, com que não pudeste ter paciência. “Quanto à nau, pertencia ela a pobres, que trabalhavam no mar. Então, desejei danificá-la, pois, adiante deles, havia um rei, que tomava, por usurpação, toda nau não danificada. “E, quanto ao jovem, seus pais eram crentes, e receávamos que ele os induzisse à transgressão e à renegação da Fé. “Então, desejamos que seu Senhor lhes substituísse o filho por outro melhor que ele, em pureza, e mais próximo, em blandícia.” “E, quanto ao muro, ele pertencia a dois meninos órfãos, na cidade, e, debaixo dele, havia um tesouro para ambos; e seu pai era íntegro: então, teu Senhor desejou que ambos atingissem sua força plena e fizessem sair seu tesouro, por misericórdia de teu Senhor. E não o fiz por minha ordem. Essa é a interpretação daquilo, com que não pudeste ter paciência.”

O mal ou sofrimento percebido também permite o bem de segunda ordem. Por exemplo, se não houvesse pessoas famintas, como poderíamos mostrar nossa generosidade? Da mesma forma, após o tsunami, a humanidade fez o seu melhor e mostrou generosidade e apoio, enviando assistência médica, comida, dinheiro etc. Portanto, um evento negativo permitiu que o positivo se manifestasse. Sobre o tema do tsunami, para aqueles que perderam suas vidas, embora isso possa parecer injusto, é porque estamos julgando negativo e positivo com base neste mundo, e negligenciando o futuro. É possível que uma pessoa seja recompensada por algo muito maior do que a adversidade que experimentaram neste mundo.

As aflições também podem ajudar as pessoas a retornarem à obediência de Deus. Em muitos casos, o retorno a Allah e ter confiança total n’Ele abre portas que ninguém poderia imaginar. Uma história interessante é a do músico Cat Stevens. “Stevens tinha ido nadar na casa de Jerry Moss, seu chefe da gravadora americana, na praia de Malibu, e depois de meia hora mal podia se manter à tona nas correntes perigosas para o Oceano Pacífico. Ele tentou nadar para terra, mas o mar Era forte demais, percebeu que ia afogar-se e gritou para Deus, milagrosamente a maré virou rapidamente, uma onda repentina o levantou e ele nadou facilmente para a praia.

Sua fé interior revelou-se ainda mais quando seu irmão mais velho David lhe deu uma cópia do Alcorão. Forneceu a chave para as respostas que ele procurava: era a natureza atemporal da mensagem, ele disse, as palavras pareciam estranhamente familiares, mas tão diferentes de tudo que eu já havia lido antes. Particularmente, Stevens começou a aplicar os valores espirituais do Islã à sua própria vida: ele começou a orar diretamente a Deus e gradualmente diminuiu a bebida, clubes e festas. Ele se retirou do ramo da música e finalmente adotou o islamismo em 1977, mudando seu nome para Yusuf Islam. ” [Biografía de Yusuf Islam]

Existência da Maldade Pura e Injustificada?

O muçulmano acredita que o mal existe, mas não o mal gratuito ou puro, pois é baseado na subjetividade humana. O proponente do problema do mal enfrenta um dilema, pois Deus é requerido como uma base racional para o objetivo do bem e do mal. Sem Deus, esses termos são relativos, já que não existe uma âncora conceitual (à parte do próprio Deus) que supere a questão da subjetividade humana. Então, pode-se argumentar que:

  • Se Deus não existisse então os valores morais objetivos não existiriam
  • O mal existe

Portanto valores morais objetivos existem, portanto Deus existe.

Na ausência de Deus, existem apenas duas alternativas possíveis “pressões sociais e evolução. No entanto, ambas as alternativas afirmam que a nossa moralidade é dependente de mudanças biológicas e sociais. Portanto, a moralidade não pode ser vinculativa. Portanto, sem Deus não há base objetiva, por isso, em resposta ao ateu, o muçulmano ou teísta pode perguntar:

“Como pode o ateu formular um argumento contra a existência de Deus quando Deus é requerido como uma base objetiva para a formulação do argumento em primeiro lugar?”

Conclusão

Um número de respostas ao problema percebido do mal foi discutido aqui. Em última análise, a ausência de qualquer mal ou sofrimento apontaria para a perfeição absoluta mas isso é algo que é reservado somente para Deus. A vida na Terra não pode ser um paraíso perfeito este estado só pode ser conquistado por aqueles que passarem no teste desta existência mundana.

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